Devaneios de um amante só
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A nitidez dessa geada prateando minha melena, reflete o quadro das eras inspirando em minhas penas.
Os caprichos do instinto transfiguram meu semblante, que ensimesmado se perde na fantasia errônea junto a um olhar desbotado pela intempérie da insônia...
Teu vulto chega de manso como um sublime fantasma dos recônditos da noite...
No imediato de meu catre minhas mãos se fazem amplas, ora brandas, ora com ânsias... querendo nesse sem fim ir mais longe que a distância, vou desvendando mistérios dos lugares mais secretos onde me perco inocente em rumos não descobertos...
Lábios pálidos e cálidos veteranos de volúpia, outra vez se aventuram em vertical direção, vaqueanos que já conhecem os atalhos da ilusão...
O devaneio insano do ardente itinerário, permite que vá além dos pontos que descobri, pra chegar aos escondidos dos mais íntimos de ti...
Nesse máximo momento de exotismo deslumbre e mera imaginação... Há dois corpos em um só carne, alma e bem querer, no mais sonoro dueto do suspiro do prazer...
Depois te vais.... Lentamente... entre as brumas do pecado que cometi novamente... E uma gota costumeira que raro uma mão enxuga, encharca o curso resseco no rosto de outra ruga...
...acostumei a amar-te ocultando meus desejos e no cio carente da espera perdoei a tua ausência... Meu rosto mudou no espelho... O olhar perdeu o brilho... A melena criou geada... O corpo já não é altivo... O tempo foi me judiando cauteloso mas redivivo...
A nitidez dessa geada prateando minhas melenas, reflete o quadro das eras inspirado em minhas penas.
Sim, envelheci... Mas a quero ainda mais... desafiando a realidade de tudo o que já vivi.. ser teu homem, teu amante, teu confidente e amigo e chegar ao fim da vida mateando junto contigo...