Frente e verso de quem anda... duas vozes para um mesmo ser
Sou frente... do rubro crepúsculo no firmamento, Trago por dentro o gen do centauro das coxilhas, Levo pelas trilhas a coragem da gesta guerreira, A fibra da casta campeira onde o orgulho rebrilha.
Sou verso... Nas parábolas que ensina a natureza, Trago a riqueza em metamorfose pelo chão, Sou infinito clarão que verte essência e sentimento, Alma terrunha que por dentro dispara o coração.
Sou frente... levando na rédea um zaino pelo rodeio, Sou alma com mil anseios diante da vida ingrata, Com estribos de prata, sou tropeiro de ventos haraganos E do mestre Aureliano* sou poesia da pampa retratada.
Somos sementes na terra, palavras e sentimentos... somos alento, pergunta e resposta no pergaminho dos avós, Para um dia a sós, os olhos beberem a metáfora do saber E assim florescer o quilate da essência de todos nós!
Com o olhar inerte no tempo que se foi pra não voltar Ao longe vou procurar o que perto um dia não perdi… E ao final descobrir o por quê da insistente interrogação: Qual a razão das coisas simples nos fazerem sorrir?
No ciclo das estações vou exalar poesias em fragrâncias, Sou alma de estância num inventário a permanecer; Vou guarnecer a porteira do romance de longa estrada... E pelas canhadas, refletir o pasto serenado ao amanhecer.
Sou frente... força e lenitivo pra quem procura amparo, Sou verso claro com a mensagem de viver um tempo lindo, Sou frente sempre sorrindo já que por dentro ela me conduz, Sou alma, eterna luz de quem segue amando e construindo!
Sim! Não! Verdade! Mentira! Antigo e Moderno! É o sentimento fraterno nas duas vozes do mesmo ser para fortalecer nas sesmarias a sólida identidade E pelas contrariedades o ciclo do amor deixar florescer.
Sou frente... ao trote largo pelos caminhos da querência, Pois a procedência deixa marcas em mim pelas planuras E nas alturas nuvens tordilhas galopam livres com os ventos, Pra depois apeiar sentimentos com repechos de alma pura.
Sou alma... povoada de sonhos e desejos infinitos... E o que hoje sinto é o íntimo tempo em recorrida, Busco em contrapartida o que o criador leva e trás, Em recoluta levo a paz para iluminar outras vidas.
Estamos petrificados em lágrima e eternizando sentimentos, para neste momento ser frente e verso pelos confins! (AMBOS) E assim a cada amanhecer ter a liberdade consciente, Levando para sempre a querência num poema sem fim! (AMBOS)