Libelo ao Homem e ao Cavalo
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I Vem de longe, genuíno! Um tostado frente aberta, olhar de águia em alerta. Filho do vento, beluíno, asas ao homem beduíno. Montada de bandoleiros, nos embates guerrilheiros. Redesenharam o mapa, romances de espada e capa, nos repechos condoreiros.
II Migração multirracial, Habitou as três américas. depois das raças ibéricas, uma Eclésia universal, sob o cantar do zorsal. Bem no Sul na soledade, constituiu-se a identidade, afro, europeu, pampeano, surge enfim o americano, na forja da liberdade.
III A vida, o tempo na pampa outorga foro e razão, une os dois em comunhão. Novo ciclo se destampa, Gaúcha, centaura estampa, consagrando a geografia. Ousada coreografia, crioulas castas preclaras, ressurgem as almenaras, campeira iconografia.
IV Mestiças cavalarias! São guaranis campeadores, índios pampas boleadores. Amplidão das sesmarias, esplendor das Vacarias. As pátrias sem distinção, quatro povos, comunhão. Centauro, homem – cavalo, que não surgiu pra vassalo, terrunha estampa de chão!
V Forjou-se em cruel contenda de oligarquias da Europa, soldado de campo e tropa. Por manhas que não desvenda, homem, cavalo, legenda, peito aberto ante o arrogo, que não tem credo nem rogo, no jogo dos mandatários, vendilhões signatários, um inferno em ferro e fogo.
VI Brotou um flete solito no meio da tempestade, por fúria da potestade. Se o animal é um mito, o quebra não é um proscrito! Na inseparável figura, uma intocável gravura. É centaura a biografia, que construiu a utopia, sul ameríndia escultura!!!
VII Silenciará o hemisfério, hão de calar os infames, não valerão os ditames. O cavalo, e o gaudério, construtores de um império. Antes do cantar de um galo, clamor rebelde, um abalo, não haverá quem enfrente, se um taura num de repente reencontrar seu cavalo!!!