Alma em Verso
Poesia

Lembrança do Pago

Cyro Gavião

Publicado em

Sou gaúcho e não renego As tradições do meu pago, Por isso é que, às vezes, pego Na garrafa e tomo um trago.

As glórias do meu rincão Carrego dentro do peito, Onde bate um coração Caborteiro e satisfeito.

Quando o sol cai sobre o monte, Eu solto meu boi da canga; Vou banhar-me numa fonte, Que tem cheiro de pitanga.

Chegando a noite, “lá-puxa”, A saudade me domina; No cinto meto a garrucha, Vou visitar minha china.

Mora lá, perto do posto, A china qu’eu quero bem, O seu beijo tem o gosto Da fruta que o mato tem.

Nos braços dela me plancho, Num amor que não tem fim, Enquanto, fora do rancho, O pingo espera por mim.

Quando chega a madrugada, É preciso qu’eu a solte; Mas, ela em mim agarrada, Num beijo, pede qu’eu volte.

Lembrando as coisas do pago, A saudade me maneia E o coração sem afago, No peito, me tironeia.

Querência cheia de glória, Da boleadeira e do laço, O Brasil, sem tua história, É o Brasil sem um pedaço.