O Caminho dos Tropeiros
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Cercado de fronteira naturais a terra das sesmarias de um alado a muralha dos aparados da serra, de outro, o caudaloso Rio Pelotas, no sul , o profundo Rio das Antas ao poente, Mato Português e Mato castelhano de verdes campos ondulados planalto, coxilhas e arroios, nas abundantes matas e capões a majestade dos soberbos pinherais.
Seus primeiros habitantes animais selvagens e índios, Guaianás, caigângues e Butucudos, logo vieram os posseiros desconhecidos atraídos pela farta gadaria. Depois os povoadores que mui assustados erguiam seus ranchos de Santa Fé trançando as linhas imaginárias para o caminho dos tropeiros.
Desde o século dezesseis a amplidão das campinas povoa-se de gadaria. Chegava então, a era do couro dando um oficio aos guasqueiros abrindo um comércio farto e a porteira para o Rio Grande.
Os homens campeiros tocavam suas tropas pêlos campos abertos sem porteira ou alambrados. Dos Sete Povos das Missões rumando o Planalto Vacariano, onde era pouso obrigatório depois seguiam as jornadas pela estrada dos conventos e o passo de Santa Vitória na confluência do rio dos touros o caminho para Sorocaba.
Os séculos foram passando o povoado foi crescendo, e logo a fundação da cidade a Vacaria dos Pinhais. As tropas traziam a riqueza, manada de bestas e cavalos, e cargueiros com bruacas fartas.
Nos rastros da tropa um sacrifício de vidas, como se nada importasse na rigorosa chuva, com sol ou passo cheio, Nas noites de rondas ou frias madrugadas passando meses e meses em cima dos arreios.
No compasso das patas marcando o verde dos campos abrindo picadas nas matas ficava os caminhos desbravados por tropeiros, homens valentes, que fizeram a nossa história.
Nas sesteadas e posadas, a ronda junto a lagoa e um capão de mato descansa os cargueiros e as bruacas, ferve o feijão de caldeirão, o charque e o velho churrasco, dorme o peão ao relento estendido sobre o chão duro, como travesseiro o lombilho, os forros da xerga e da carona cheirando suor de matungo.
A epopéia aos poucos se acabou porem, enquanto reverdecer o pasto se criar o gado e cavalos e não fabricarem a carne haverá sempre em algum lugar homens, como Cristovão de Abreu embora surrados pelo tempo.
Por onde andam esse homens meus senhores? Foram tropeiros das bruacas e chimarrão, abriram os caminhos a casco de cavalos, e transportaram o progresso deste chão.