De quando em vez numa estancia
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Poesia Classificada e editada na Coletânea “Rodeio de Poesia 1998” do XXII Rodeio crioulo Internacional de Vacaria - RS
Os galos cocuricaram e bateram asas, como prenunciando no seu cantar mais um dia na estância! Acordar num amanhecer sobre os pelêgos e arreios, bater o tição, reacendendo o fogo dormindo para aquecer as cambonas.
No romper da aurora passar água da cacimba na cara, riscar o sinal da cruz entre a testa e o peito pedindo a proteção do senhor, respirando fundo o ar do orvalho enquanto as ultimas estrelas vão se apagando no mirante do céu, que parecem se curvar ao encontro do verde das matas e ao cantar dos pássaros.
Os olhos, galopam léguas pela barra do horizonte sem tropeços, no colorido rural, levando no reponte o aroma da ultima cuia de mate que tomou ao calor do fogo galponeiro com a peonada na estância.
Enquanto a água limpa da sanga vai pipoqueando no pedregulho descendo a corredeira. e nos chás de água na bica que levanta o velho manjolo E o pilão de bater canjica. no remanso da sanga, a pinguela de pau de angico falquejada a machado que dava vau para as coivaras.
Ao redor da velha mangueira de rachão de pau cerno as vacas, remoendo e se despreguiçando de ubre cheio, a espera do tambo. Os terneiros berrando agalponados ensaiando o apojo das tetas.
O relincho dos cavalos no galpão assanhados para começar mais uma lida, de vez em quando os quero-queros vão dando o alerta de sentinela, e no verdejar dos campos sai o peão, o cavalo e o cachorro, três fiéis companheiros para mais uma camperiada!
Ouço écos de canga e canzis indicam que já estão ajoujados os bois da carreta e do arado, os paióis atopetados de milho na espiga e fardos de pastos seco para os bichos no inverno.
A fumaça que sai da casa grande e da quincha dos ranchos começa a se espalhar no ar, formando rosários no azul do céu como se fosse o bocejo dos fogões campeiros!
No horizonte, o sol vai loirando como uma abóboda celeste, seus raios fazem a explosão de orquestra com as águas, enquanto o cantar das cigarrras prenunciam o verão.
A terra criou o homem e o homem criou seus costumes porém, a evolução, soterrou os sentimentos da vida na estância. Com o passar das luas o tempo criou tanta gente, que vivem repontado pelos outros fugindo, na calidês de suas raízes.
Porém, nas taperas e nos povoados restam só as lembranças, envelhecidas no gancho da saudade, a realidade entristeceu o campo o tal de modismo na estância disfarçado de progresso encurralou, a chucrês dos galpões que, num corredor sem regresso... soluça! Quase sem fôlego, para sustentar vivência a geração de nossos descendentes!!!