Alma em Verso
Poesia

Saudade

Lauro Rodrigues

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Quando o sol golpeia no horizonte e se vai reclinar por de trás do monte como um boi colorado repontado pelo mango de noite que tropeia eu sofro a mágoa de tristeza, a quietude sem fim da natureza na saudade cruel que me maneia.

Xomíco!

Por que será que Nosso Senhor nos dá sem pena, nem julgamento, a pua do pensamento prá esporiar o coração? Há nisso tanta maldade que eu até nem acredito que fosse o "tal" Jesus Cristo o inventor da saudade...

Saudade!!!

Ela vem chegando, tropereando...tropereando tudo de bom que vivi.

Depois que a saudade apeia amarra o pingo e sesteia, nunca mais a gente ri.

Isto é: sempre há sorriso mas para isso é preciso enganar como perdiz que piando numa moita noutra se esconde afoita fingindo que náo piou. A gente não é feliz!

So ri dos dentes pra fora, um gargalhar disfarçado, uma risada amarela, como potro atropelado como boiada que estoura na saída da cancela.

Saudade cheira a alecrim mas é ruim que nem cupim que dá em várzea de campo; fere a gente de tal jeito que o coração cá no peito se banha nágua do pranto.

Saudade é grama cidreira, é guecha passarinheira que a gente nunca domina; é dor aguda e danada, dói mais do que uma chifrada de vaca mansa brasina.

Saudade, coisa esquisita, que Deus te faça bendita como a hóstia no altar!...

Pois, de tudo que já tive, somente a saudade vive, vive a me acompanhar!!!