Raízes do Tempo Antigo
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Alpargata a meio-pé! Costuradas com arame de quinchar ranchos! Um chapéu de abas derruídas - num barbicacho de barbante - preso a nuca! Na bombacha de riscado e já puída o desenho dos cerzidos de outros pêlos! Na voz, as ressonâncias bem timbradas de quem conhece o mundo e leva a vida!
Todos os dias, passos largos nas calçadas! Uma cesta de vime, já sebruna pelo tempo e um grito que soltava, qual "mandado": - óia o jujo! - Hay arnica, marcela, cancorosa!... E, desse jeito, negaceava alguma prosa pra aviar uma receita à moda antiga com os manojos que ofertava, bem atados!
Quase sempre, nas janelas, com mate recém-cevado os velhos, vinham à rua comprar algum manojito que misturavam na erva... que anda de gosto esquisito!... Pura desculpa, essa a deles pra porem no mate-amargo as folhas medicinais da flora xucra do pago!
Sim!... Há uma aura de confiança, nessa figura tão rude! - Se confia o próprio filho à medicina campeira de mel, de um guaco, e do agrião... que ele colheu num açude!
Todos lhe guardam confiança e a fé remove montanhas! Por isso, nos vilarejos perdidos pela campanha ainda se encontram jujeiros! A quase extinta figura que não faz muito, no tempo miticavam dores brabas com ervas e benzeduras!
Sim!... Os mais velhos continuavam com seus mates temperados - iguais aos pais de seus pais - Como um eterno legado!
Esses humildes doutores na medicina campestre! Homens, vindos dos agrestes, junto ao clarear o dia! Até parece mentira, mais quantos...tantos e tantos enxugaram fartos prantos, nessa xucra homeopatia! Sim!... Ainda que novo eu seja, acredito com firmeza num chazito de carqueja, depois de um churrasco gordo! Quem sabe, foi-me legada, essa confiança terrunha que eu mesmo sou testemunha, da força da natureza!
Talvez, seja o misticismo - o que nem eu acredito - Desses homens, sem estampa...sem gravata e paletó, infundirem tão profundas a confiança e a certeza Nesses bens da natureza que nos vem desde os avós! Sim!... São eles pelas ruas - de bombacha arremangada - Com seus gritos bem timbrados e as prosas porta a porta! Com suas cestas de vime - já sebrunas pelo tempo - e os xucros medicamentos no refrão que nos conforta: - óia o jujo! - Hay arnica, marcela, cancorosa!...
Vão escasseando esses homens! Inté no povo, onde vivo não sobrou um pra remédio das dores brabas da gente! Ninguém é Deus, certamente, mas pra um homem campeiro ajuda grande esta fé num chá bem forte, caseiro!
Mil gracias à ciência andeja, Sempre buscando caminhos! A humanidade precisa e nós, xirús campeiros (vemos o esforço pras curas) mas igual, uma carqueja ao menos lembra a figura antes do fim...dos jujeiros!