Lampejo
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Na fazenda coxilha rica No município de Pau Fincado Eu nasci e fui criado Sem nunca ter visto luxo Trabalhando desde piazito No cabo da foice e do arado Muito cedo fui desmamado Cumprindo a sina de gaúcho
E ali cresci escutando Assuntarem dum touro afamado Que muitos já tinham matado Por ali no vilarejo Touro velho é verdade Vinte anos tinha completado Mas nunca fora montado Seu nome era Lampejo
Até que num mês de agosto Vejam só o acontecido Lampejo então foi vendido Por mil e quinhentos cruzados O dono veio busca-lo Como foi prometido Vou lhes contar o ocorrido Fiquem escutando sentados
Vieram mais de vinte peões Pra laçar o bicho danado Lampejo não era domado Por qualquer peão de estância Um por um foi tentando Deixar no chão o touro maneado Nem sequer foi laçado Corria a uma certa distância
Então com muito sacrifício Lampejo foi repontado Quando viu já tinha entrado Para dentro da mangueira Ali a gauchada o cercou Deixando-o encurralado Lampejo contrariado Soltava fumaça pela orelha
Não houve jeito de pegá-lo Na unha ninguém tentava Algum ou outro que laçava Se fosse bom de braço E o touro no canto encolhido Fazia de tudo e não se entregava Corda ele arrebentava De couro ou até de aço
Se Lampejo pudesse falar Na hora diria contente Venci toda essa gente Escapei com o pêlo liso Mas suas palavras seriam falsas Não sabia que pela frente O homem covardemente Sumiria com seu sorriso
Não havendo como levá-lo O dono então pensou Esse negócio já se consumou Este touro eu vou matar E puxou da guaiaca um 38 Duas balas disparou Lampejo no chão ficou Para a lenda acabar