Judiaria
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Que judiaria, guria... nós dois se querendo tanto, tão perto e tão apartados.
O destino calavera, fechou prá nós a porteira, deixando a gente embretados.
Eu de cá... te cobiçando... tu de lá... “zóio comprido”... e um sentimento doído, apertando o coração.
Só o vento companheiro, serve de nosso chasqueiro traz suspiros de saudade leva notas de afeição.
De noite, quando solito, no meu rancho, me arrincono e o pensamento vagueia, que nem cachorro seu dono. Fareja a lembrança tua, uivando, olhando prá lua... que a saudade, não tem sono.
Se mateando, me distraio. Acarinhando esta cuia, arrendondada e pequena, é como se acarinhase, tua carinha morena.
Olho prá dentro do mate: entre água, erva e espuma, lampeja a luz do lampeão...
... e os meus “zóio”se perdendo... sabe o que eles tão vendo? Teus “zóinho” pedichão...
E quando, a franja do pala por entre os dedos, tenteio, num descuidado passeio, fingindo vaidade e zelo, como um piázinho sonhando, eu brinco, que estou brincando, com a seda do teu cabelo.
Se no meu catre me atiro, p’ro meu descanso sozinho, me viro, viro e reviro, pensando nos teus achegos... e a maciez dos pelegos, parece que tem espinho.
Peleio cós pensamentos, esporeio o sentimento do coração aporreado. E me queixo, abichornado, da madrugada que é fria.
... Que judiaria, guria! Nós dois se querendo tanto, tão perto... e tão apartados!...