Alma em Verso
Poesia

Vistaço de Agosto

Juca Ruivo

Publicado em

José da Silva Leal Filho)

Tarde pampa. – Como um beijo, qual leve roçar de asa, afina o vento nas folhas seus acordes de guitarra.

A natureza está morta e cada nuvem que passa, e garça que cruza o céu, emponchado e alabastro.

Os aguapés sonham calmos com rutilâncias de auroras, tal um jardim de esmeraldas, baixo um pala de safiras.

A lagoa misteriosa, onde as estrelas espelham em fosforências de opalas rodeios de boitatás, de todo já adormeceu num retovo de geada.

Não há uma flor nas coxilhas, não vive um ninho nos galhos;

O mato é a tumba do pago, parece o plaino, o cadáver.

E na tapera do cerro, grinalda azul solitária, aonde a lua esparrama garoas de prata e nácar, há uma alma que desperta, como em copla de saudade, a lembrança extraviada, daquilo que ela já foi...

A rumorosa restinga não pipoqueia nas pedras;

Os quero-queros calaram encarangados de frio;

Do mesmo frio que enregela um coração de poeta, quando a mágoa cristaliza num poema incompreendido...

Pela tortura do verso, pelas misérias da arte.