Apenas Um Pirilampo
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O Campo nos olhos xucros a demudar em tratores perdeu a tinta das flores e aquele encanto no truco a empeçar carreirada com bailes de cola-atada e faiscar de trabuco!...
Apenas um pirilampo a rastrear noite escura vendo aberta a sangradura da carne virgem do campo... Acompanhando um arado que seguiu-se acolherado a uma junta-desencanto!
O sonho nos olhos guaxos a demudar em seu rumo com novas marcas de fumo a branquear outros espaços... No beiral dos corredores o campo vazio das flores manda embora os velhos braços!...
Apenas um pirilampo ficou nos olhos da china que apagou a lamparina e se virou para o canto sem compreender a maldade que transferiu pra cidade o ganha-pão e o pranto!...
Ergueu-se num caminhão a dor da quinquilharia enquanto a estrada se abria no rumo doutro rincão... Apenas um pirilampo sentiu a voz de seus ranchos, no limiar da escuridão!...
Com aquela correria de se empilhar cacarecos deixaram alguns bonecos daquela infância guria... sem se falar na chupeta que a filha da Marieta chorou o resto do dia!...
Apenas um pirilampo rondou o lugar da ausência. Cresceu o cheiro da essência dos poejos e maçanilhas... o vazio da soledade deixou além da saudade mais lonjura entre as famílias!...
De longe em longe uma casa a espreitar na planura a estranha monocultura da soja pedindo vaza... chegaram os italianos e se fizeram hermanos... mesmo pito e mesma brasa!...
Apenas um pirilampo acorda as noites do sul que as luas do céu azul se perderam dos meus olhos... porque eu não fecho as janelas pros campeiros das favelas pisando espinhos de molhos!...
Aqui, Senhor Deputado, eu le mostro o que se foi: um berro amargo de boi e um lavrador assoleado que se tangeu verga afora pra ser marcado de espora, corrido pelo alambrado!...
Aqui, le mostro a ferida de uma terra silenciosa que a cordeona manhosa cantou na noite comprida... no corredor de um aceno perdeu-se um filho pequeno co’a fome rondando a vida!...
Apenas um pirilampo ficou na minha esperança: é a luz de uma criança que brincava no quintal reculutando na infância as ilusões de uma estância sem ranchinhos no beiral!...
O campo nos olhos meus desnudou-se pelo progresso. Mas eu só quero o regresso de um tempo de gineceus... pra chimarrear novo dia e esquecer a mão vazia... que só me trouxe um adeus!...