Alma em Verso
Poesia

O Silêncio Pede Passagem

Joseti Gomes

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Quando o silêncio se abanca e pede um mate pra mim, torno a encher a cambona pois, a noite se faz redomona pros campos aqui do peito... Cansado, o velho candeeiro, quase apagando o luzeiro nem reparou no meu jeito...

Me ajeito junto dos trastes pra lembrar que tenho corpo mas, minh’alma, lá por fora encilha o pingo, vai-se embora no rumo da estrada comprida... Me conformo junto ao fogo, sei que ela partiu de novo na sina de andar perdida...

É... velho companheiro... Vês que me encontro solito nas lonjuras de mim mesmo e, se me encontro a esmo perto do fogo-de-chão, é porque sobrou-me, apenas, refletido nas chilenas, o brilho fosco da ilusão...

Este coração tristonho espia por entre as frestas das paredes do que sou buscando ver onde estou e pra onde posso ir... Porém é só um lampejo como quem espera o beijo dos lábios que viu partir...

Meus lábios são a porteira por onde cruzam os versos que digo pra alma-prenda... Espero que ela me entenda e não demore em voltar... Pois, se pra ela sou pouco fui mais que poeta, fui louco nas veredas de um cantar...

Meu canto, agora, perdeu-se qual poeira pela estrada... Se a tropa vai campo a fora escrevendo sua história nos rastros que a terra imprime, os versos seguem o rumo com letras dentro do prumo sem precisar que se ensine...

Não me ensinaram as rimas que encantam a alma inquieta... É o amanhecer quem traz de novo, minh’alma que foi pro povo em busca incerta de afago... Não te culpo prenda minha pois sei que voltas sozinha pro meu corpo que é teu pago...

O mate engana minha sede quando o silêncio se abanca pra me fazer um costado... ficamos assim, lado a lado em solitária companhia... Só nossa sina é diferente enquanto calas, fico ausente na mais intrigante parceria...

Não vou cantar, meu amigo, não quero rima, nem verso, nem que de mim tenha pena... Peço que entendas o dilema deste peão que se cala... A saudade que consome, vai recolhendo, no homem, desde o olhar até a fala...

Falei demais pra uma noite quando calar era o mando... Já chega de pensamento... Se a hora faz o momento, o clarão mostra a imagem... Antes que o dia amanheça Vou me deitar com a certeza que o silêncio pede passagem...