Romance do Peao de estancia
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Fronte altiva, jeito franco marcas de tempo e sol... Bota garrão-de-potro, nazarena sete cravos, chapéu quebrado dos ventos, pilchas sovadas da lida, um figurão de gaúcho!
Chamava-se João Mariano. Profissão: peão de estância. Peão porque o avô também foi e o pai lhe ensinou a lida. Peão por caprichos da vida, porque nunca soube ler ou talvez, peão por querer, nunca para ser escravo mas para ser um campeiro livre, dono do próprio nariz.
Nessa luta por direitos João Mariano não se apressa - Quem tropeou no campo largo, nos carijos, mate-amargo, ginete de potro e pampa, quem refez a própria estampa no manancial farroupilha ganhou direitos de encilha é parte da própria estância, conhece tempo distância e o jujo que dá em coxilha.
- Quem conhece o “fel-da-terra” na perda do bem-querer faz da lida um prazer pois tudo exige o talento, que da bravura é sustento.
E aquele que anda sozinho, abre seu próprio caminho seguindo as trilhas do vento.
E mesmo se o “cobre” encurta, ou se a vida fica osca, o velho peão se garante.
Tem rancho, cavalo e campo, do patrão um trato franco quase irmão na igualdade nào é coisa da cidade
peão é produto crioulo, o mesmo que fumo em rolo, só se ganha com amizade.
Mariano veio de ontem, cruzando todos os rios. Abrindo picadas na serra cravando cercas no pampa e guardando na memória aquele gado crioulo que a vida inteira juntou. Um dia mudou a prosa trocou o pelo da barrosa. Só o peão nunca mudou.
Mas a sentença do tempo, pior que o banco dos réus, vai esquecer Jão Mariano dando lugar ao moderno tal qual neblina d’inverno, querendo mudar o pago.
Da canha nem mais um trago sumindo inté c’a bombacha nem guaiaca e nem a faixa pras pilchas do índio vago.
E o moço que tudo sabe das histórias de outras gentes, perguntará, bem sem luxo, como era o tal gaúcho? Andava a pé ou de moto? Não deixou nenhuma foto? Era bárbaro ou cristão?
Certamente assim será! Pois ninguém manda no tempo se o velho um dia foi novo e andou cheio de retovo explorando terra e mar, o “gênio”não vai parar e mesmo que finde a trova, a vida ainda se renova tal como um tiro de laço! E o Mariano lá no espaço namorando a lua nova.