Cocho de Sal
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É o ponto de reunião, comício de messiânicas esperas, necessidades fundas. Todos buscam o sal. Timbaúva estendida, horizontal, cada cocho reúne maresias, ondas, maretadas do mar que nem mesmo se presume perto do pelado dos rodeios. O grão de sal aproxima fúrias do mar distante - dominadas - do mar de pastos verdes das coxilhas, este mar de galopes que, súbito, estacou. O céu que foi um tombo de estrelas dentro d`água também veio, deixou mais liso o pêlo desse gado, fixou-lhe nas carnes e nas fibras líquidos, minérios e sargaços, algas e líquens, prenúncios e promessas de energia. A gordura da carne acende estrelas e o churrasco, distanciando das chamas desinquietas, deixando-se entranhar de céu e mar, de terra, fogo e ar reúne as forças cósmicas do grão de sal. Dentro do grão de sal inscrevem- se roteiros de tropas gordas para os saladeiros horizontes de ausência pela estrada, o sal dá falta da mulher e filhos no desejo de volta do tropeiro. E as noites e os dias de chuva e de sol e o tranco ao mormaço e as rondas e os rumos - que tudo está inscrito no mundo infinito do cocho de sal.