Enigma dos Cerros
A tarde desceu do cerro, Veio chegando pras casas. Lenha buena, fogo grande... A cuia que aquenta Demora no seu andar. Bombeio pela vidraça, A noite emponchou a tarde, Repontou a lua cheia Pra alumiar o cerro; A cuia segue o caminho No templo de cada um.
Miro a cuia...atiço o fogo... No rítual do chimarrão, O cevador toma um mate e Passa um pros parceiros. Palmeio a cuia morena, Me enleio nos pensamentos... Decifrando aquele cerro: - tem topete em pedres brutas Que o minuano em "assobios" Vai desbastando despacio - É um centauro bombeador Cuidando varzea e coxilha. São obras do arquiteto que, Quando formou estes pagos Deixou ele de vigilia.
Sou aprendiz dos mistérios, Na formacão desses cerros Metamorfose dos tempos Em que, só deus mudava os mundos. São mangrulhos, são refugios São nesgas de verde oliva, Se sobrepondo às cores Que o progresso matizou. Pensando bem, novas moradas Dos expulsos dos seus ninhos, Soterrados com banhados, Açudes e vertentes que, a galope, Vão alargando as lavouras.
...o mate traz o silêncio E asas pros vôos longes...
Subo o cerro, vejo os plainos. Ilhados, vejo os ranchos E cobertura pras maquinas. Me pergunto, - pra onde foram, As lavourinhas de milho, Mandioca e batata-doce? As hortas e hortaliças? As laranjas, bergamotas... Peras d'agua e pitangas ? As guanxumas pras vossouras Que sarandiavam os quintais? E os quintais... pra onde foram? Será que mudaram Pro embretado das vilas, Pras sacadas dos sobrados? E o progresso? Ah ! O progesso...segue avançando, Decepando coxilhas, Invadindo os corredores... Espreitando os cerros.
...o mundo pede comida, A natureza !? Equilibrio...respeito.
Bueno...devolvo a cuia, Por hoje chega de mate. - sempre fui madrugador – ...estrela boieira... flamigera luz difusa Confusa aos meus olhos mas, Branda a minha alma, Vela meu sono... Clareia meus sonhos...
Sigo polindo pedras Que aqui me alicerçaram.
Aqui !?... Nada mudou Gurizada com saúde Cachorrada sã de lombo. Pra o sustento alguma rez, Porco gordo no chiqueiro, A lovourinha de arroz... No quintal muita fartura Vaca de leite, as ovelhas... Galinhas e alguns cavalos, A charrete pros passeios, Na vila, ao final do mes.
...um bode para os segredos...
Assim é a vida que levo Ao pé do meu cerro amigo Onde fiz minha morada. Sombra fresca, agua boa Aqui não me falta nada Aqui eu quero ficar. Só peço quando eu me for, Pra poder bombear os longes Me plantem em cima do cerro. E, quando pelas manhãs, Um pala branco de geada Cobrir o cerro de paz, Ceve um mate minha prenda, Suba o cerro, Ofereça um pra deus. Bombeie os longes - quem sabe tenham voltado As vassouras de guanxumas Pra alegria dos quintais !?...