Anita
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Uma heroína em tempos de guerra? Uma mãe fiel e devotada? Ou uma guerreira idealista? Um filho no colo, um rifle na mão, dividem seu amor por este chão e, com Garibaldi, também, se coração de mulher.
Ana Maria de Jesus Ribeiro ou Anita. Simplesmente. Abandonou um casamento mal sucedido e nesse gesto de irreverência se uniu ao Almirante Garibaldi. E, a bordo do navio Rio Pardo, rumou para lutar mais ao sul juntando-se ás tropas de Canabarro.
Sempre imponente, com altivez, enfrentou a dor da própria alma ao suportar o tormento da separação mantendo-se sempre leal e companheira. Em sua montaria, o exemplo da estampa da mulher guerreira. Nas clareiras dos acampamentos, personificou a própria esperança, nas mãos da mulher enfermeira.
Anita. Seria ela, uma mulher de muitos amores, por quanto dividiu seus sentimentos com seu filho Menotti, fruto predileto com seu Garibaldi, valente guerreiro, com sua pátria, este Sul Brasileiro, ou quem sabe, com seu ideal: a liberdade?
Anita. É a saga da mulher que também foi gaúcha tal herdeira da fibra de Ana Terra ou de tantas outras Anitas anônimas entrincheiradas em seus casarões, sem maridos, sem seus leais peões homens que as defendessem dos inimigos, que saqueavam suas fazendas lhes arrancando seus filhos varões e desonrando seus lares sagrados semeando os horrores dessa insana guerra.
Sim. Há tantas Anitas anônimas! que não fazem parte dos livros , que não guerrearam nas campanhas. Sim. Há tantas Anitas anônimas, que a nossa história não reverencia, mas que travam tantas batalhas por dia.
Anita. Sua luta foi sem fronteira. Foi algoz, foi prisioneira, mas fugiu do implacável inimigo entre Laguna e as Vacarias, cruzando rios, matas e pradarias ao filho infante, abraçada sempre, protegendo-o em seu colo de mãe das doenças e do intenso frio com seu caloroso bafejar de amor.
Anita. Enfrentou essa longa caminhada para encontrar-se com seu companheiro que peleava lá pras bandas do Uruguai. E, no sangrento campo de batalha avistou-o ao longe, num descampado. E num galopar de pingo desatinado foi se encontrar a mostrar-lhe o filho. Ouviu, então, o brado histórico do amado: “Agora venceremos, chegou meu melhor soldado”.
Anita. Fora mãe de quatro filhos, frutos de um amor muito intenso, tão intenso, tão leal e sincero que nem as guerras conseguiram separar e nem o vasto oceano distanciou da presença desse amor tão verdadeiro que retornara para sua Pátria Itália berço que gerou seu herói e guerreiro.
Sua família, então reunida estava noutra pátria, noutra Terra. Anita reverenciava tempos de paz no aconchego do sonhado lar. Mas... clamou forte a sina de pelear e lhe arrancava novamente dos braços seu amado Giuseppe Garibaldi. Era então outra cruzada: Deveria lutar!
Anita, muito jovem, mas destemida, tantas e tantas lutas enfrentou. De repente, vê-se debilitada pela dor, dor que fragilizou sua saúde, antes valente Determinada, agora, que o combate é outro. O inimigo é outro. È um terrível algoz que teima em tirar-lhe a vida. Vida, que muitas lutas e guerras suportou.
Apesar das batalhas incessantes, muito cedo a morte lhe arrebatou roubando-lhe a preciosa vida; roubou, também, mais um grande amor, que ainda latente em suas intranhas frutificava. Era mais um filho dessa caminhada que, como ela, fora precocemente ceifado. Inocente que se fez anjo de asas cintilantes lhe faz companhia na sua última morada.
Vivenciou dez anos de amor e guerra sempre errante, de espírito aventureiro Anita foi combater também na Itália agora, em come da “unificação” para tornar-se a “heroína de dois mundos” sempre impulsionada pelo ímpeto guerreiro até morreu nos braços do seu amado naqueles tempos de guerra, ódio e paixão.
Anita nos deixou seu legado de glória de muitas guerras, muitas batalhas, escrito em tantos livros de história guerreando na defesa de outras pátrias, guerreando na defesa de outras bandeiras, sempre com a mesma valentia e lealdade, buscando e perseguindo um só ideal. E esse ideal se chamava: Liberdade!