Recanto do Sol Nascente
Naquela tarde medonha O minuano me “assoprou”...
Que ali naquela coxilha Pouco ou nada antes havia. ...Além de campo e uma frente aberta Pra quem ousasse chegar, Com alguns sonhos pra plantar Naquela terra bravia.
Santa porteira cravada No coração do Ibicuí ...Um gaúcho fincou o garrão. - Não há fronteiras no chão Pra quem tem mãos e coragem!
Ao vislumbrar a paisagem Acreditei no que ouvi, Afinal... o vento andejo - Ao contrário deste estranho - Sempre cruzou por ali.
Matreiro cá de outras bandas Me aproximei devagar, Desconfiado... meio incerto. Uma estrada conduzia Pra frente calma da estância, Que de lá no topo eu já via.
- Eu lhe conto amigo velho... Que me costeava num trote Uma seca mui cruel - Mais amarga do que fel Que de todos nós judia. ...Gente e bicho... tudo igual!
Na goela seca me ardia Um sentimento animal. ...Farejando pasto verde Numa sede de vertente Que esgotava manancial.
Fartei meus olhos de pasto - Que só o meu pingo imagina - Ao ver aquela canhada Deu-lhe ganas de pastar. ..Feito cabelo de china Dava “inté” pra se trançar.
Me acheguei num – buenas tardes! Pra sombra do parapeito... E a voz mansa do caseiro, Feito um eco... a retumbar... - Vá chegando companheiro! ...Num galpão de boca larga - Sorrindo de porta aberta - Como hoje, poucos... na certa, Em pago “alleno” se vê.
Resfolegando mormaço, Proseando... escutei em volta Na vastidão do arvoredo... - Abençoados passarinhos - Na beleza do lugar.
Pensei: ...aqui tem o dedo De quem renasce ao plantar Sorrindo com a natureza Que Deus fez pra gente amar.
Senti o aroma dos figos, Das peras – das laranjeiras, Bergamoteiras, caquis... O doce mel nas colméias ...Melancias pros guris.
Três coqueiros – três amigos - Mirando lá no horizonte ...As nuvens sombreando os montes Bordados no campo seco.
Angicos aquerenciados Na paz serena das brisas. Dois ipês cheios de amores Pra refrescar tardes quentes Na festa dos beija-flores.
Égua buena no sogueiro, O gado manso “resmoendo”... Tronco, cercado e curral. Pra garantir a fartura Água boa e milharal.
Mateando com o bom caseiro, Pensei – talvez em voz alta - - Devem ter sovado anos Numa saga de labutas... Pra fazer tudo isto aqui!
...E o vento, sempre rondando, Me cochicha de soslaio... - As sombras falam por ti!