Pialo na Sorte
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Há tempos que eu não cantava E o verso potro aporreado Vinha sendo anunciado Na idéia deste vaqueano Que vem vindo ano por ano Na lida bruta da vida Cabresteando os pensamentos Que trazem a rima escondida.
Já faz uns quantos janeiros Que este gaudério peleia Tenteando botar maneia Na sorte guaxa fujona Que é potra das mui gavionas Maleva e não pede arrego Mas com jeito e com carinho Vou trazer pra os meus pelegos.
Gauderiei por este mundo Por gostar de ser teatino Tropeando o próprio destino Tempo a fora e vida acima Buscando a sorte e a rima Essências da minha alma Afoito quando era piá E hoje eu busco com calma.
Agora bem mais maduro Curtido da lida bruta Da recompensa da luta Já tenho um rancho e minha prenda E desta bárbara oferenda De amor e de compreensão Nasceram duas estrelas Pra seguir a geração.
Amigos tenho bastante Todos com letras grandes E peço a Deus que me mande Saúde, paz e amizade Mesclando a simplicidade No meu rancho missioneiro Eu domo as dificuldades E vou amansando janeiros.
Agora neste arremate Enchi de coragem o peito Peguei a rima de jeito Encilhei, botei o freio E apartei deste rodeio A tal sorte caborteira Vou botar-lhe sobre-lombo Pra deixar de ser matreira.