Da Moda Antiga
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Dos payadores de antanho Herdei as tropas de versos E o patrão deste universo Senhor da vida e destino Me deu a idéia e o tino Pra amanunciar poesias Sigo então a liturgia Deste antigo catecismo Mantendo vivo o xucrismo Na velha capitania.
A tropeada eu continuo Batendo firme na marca Contando as rimas na tarca No nosso sistema antigo Coisas que trago comigo Dentro do peito guardado Pois quem recebe um legado Vive sempre em prontidão Sendo soldado e guardião Deste pago abarbarado.
No garrão deste país Nunca se apaga o braseiro E o verso de um missioneiro Que é forte igual a sovéu Recebe o amparo do céu Pra continuar galponeiro Pode voltear o mundo inteiro Mas não esquece as origens Suas cores e matizes Nem seu estilo campeiro.
E assim neste dialeto Vou segurando a culatra Onde o verso se desata Pra um pialo seco e certeiro E o payador que é o ponteiro Desta tropilha gaviona Por ser xucra e chimarrona Só fica quieta e se acalma Sentindo brotar da alma Um soluço de cordeona.
Eu escolhi este estilo E sendo assim não me calo Nas rimas ando a cavalo Volteando o pago sulino Esporas entoando um hino Ao som da inúbia charrua Riscando de corda e pua Algum sebruno aporreado Fazendo marchar troteado Rondando um quarto de lua.
Assim eu levo no peito O verso xucro e arredio Sinto no corpo um arrepio Quando desfraldo a bandeira E esta ânsia galponeira Que trago na minha cantiga É minha arma de briga Contra os abusos modernos Sou tronqueira, puro cerno Falquejado à moda antiga.