Senhores da Guerra
A espada geme, brame , risca o ar Certeiro golpe, dando cabo a contenda Inimigo prostrado, vencido, entregue Num átimo a terra treme, um raio ilumina o campo A taquara é aço forjado , chocam-se em estrondo Um Capitão ,dragonas e cavalo branco Um Lanceiro, pés descalços e torso nu
Mama África...
cativos em diversas nas aldeias, fila indiana, presos ao libambo , atados pelo pescoço a outros infelizes gargantas abertas para medo aos demais carregavam sacos com pedras e areia, aumentando a resistência e o suplicio, misera ração, fumo e aguardente, batizados temem um Deus que não o seu.
Capadócia...
Jorge nasce, guerreiro,capitão,conde Em nome da fé venceu a injustiça Sofreu o flagelo e não sucumbiu Diocleciano Imperador sanguinário Torturou ,imolou e decapitou Morre o homem ,nasce o mito
Terra Brasilis...
Índios preferem a cruz à espada Negros, cicatrizes no corpo e alma Mãos carcomidas no sal das charqueadas Mesma cor, falares diferentes, igual destinos, Nus, cabelos raspados, sem água e comida.
Nos casebres de beira estrada Nos edifícios das metrópoles Igrejas, templos, terreiros Imagem defronte a porta Coité, alguidar e guias O dragão submisso morto Franjas de palmeiras desfiadas
Clarinadas , tropel desenfreado O andor sangra os ombros Agogô, Akpossi, Ogidam e Kelé Ferreiros, soldados, caçadores Bandeira, verde e vermelha Sincrônica mescla de fé
O mar que os trouxe Não é o mesmo Uns cativos , temerosos Outros, senhores, confiantes Cruz e espada, coités e okutá Alva pele, escura alma Banzo, suicido, loucura
Traição, acertos, beberagem Generais em conluio Sete canhões Vinte um lanceiros ,peito aberto
O clarão ilumina o campo Lua azul do mês de Novembro
Jorge a cavalo Defende o império Ogum a pé É mais um Lanceiro
O entrechoque de espada lança O sincronismo é forjado
E juntos estão de ronda Vencendo demandas e batalhas Salve Jorge Guerreiro Ogum ê , Orixá da Guerra