Pouso das Carretas
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Amontoados sobre a lomba Vermelha., de um coxilhão, No ermo greste, de plantão, Se levanta tr~es umbus Que os desatinos mais crus Bordaram de cicatrizes Desenterrando as raízes Como braços seminus!
Foi ali antigo reduto De velho rancho posteiro Que abandonado ao pampeiro Do mato bravo foi presa, Mala suerte, com certeza, De algum paisano teatino Que ao lutar contra o destino Foi pegado de surpresa!
Hoje um pouso de carretas É no mais, tudo o que resta, Onde nas horas de sesta Vem se reunir a boiada E o carreteiro se estende Nos pelegos, porque entende, Que vai ser longa a jornada!
Chapéu protegendo os olhos Contra a forte claridade Presa fácil da saudade Que se achega matreriando Dali o índio vai olhando A grandeza que o rodeia E o silêncio que o maneia Qual alma que anda penando!
Repara a tronqueira velha Em cujo topo um barreiro Moldou de torrão grosseiro A mais chucra residência, De onde a salvo da inclemência, De espinhos, cardos e urtigas Vai desmanchando em cantigas Seu grande amor à querência!
Crioulos da velha templa, Que não enverga nem lasca, Como os umbus, que na casca, Guardam sinais denegridos, São os floreios sentidos Desse passarinho guasca Que quando canta, descasca Velhos recuerdos perdidos.
E os olhos do carreteiro Vão se orvalhando cuê pucha, Pois na estampa pequerrucha Daquele abrigo sem porta, Entrevê a grandeza morta Da velha estirpe gaúcha Que mal ferida estrebucha Numa agonia que corta!
Deixa correr, carreteiro As lágrimas da saudade, Já pouco resta, é verdade Dos lindos tempos de outrora O passado foi se embora E tudo o que conheceste, Já são pousos como este Onde ninguém se demora!
Eu porém, que carreteio Tristezas e desenganos, Como outros tantos paisanos Do meu Rio Grande lendário, Quando findar meu calvário Quero encontrar o descanso Dormindo no pasto manso De algum pouso solitário!