Panela de Carreteiro
"Panela de carreteiro, dos tempos de monarquia em constante romaria, no velho pago campeiro, regalo de um missioneiro que me ofertou - de presente, mas agora - indiferente, a uma amizade sadia, vive a sonhar - noite e dia, chorando a panela ausente!
Maestro dos veteranos da nossa canção bravia! uma panela vazia, não vale teus desenganos! deixa isso pra os profanos que a nossa história revela, Guarani - a vida é tão bela, em nossa terra baguala, pra que gastar tanta fala por causa de uma panela?
Larga de mão - eu te peço, da idéia de entrar em juízo, termina dando prejuízo, só com as custas do processo, o tempo aponta o progresso, já sem relincho nem berro; podes errar - como eu erro, continuando desunidos e nós dois sermos cozidos, nessa panela de ferro!
Os três pés dessa marmita, queimada - de casca escura, são - na verdade - a estrutura da nossa terra jesuíta, por isso bugre - acredita, na fala deste mestiço; - canta - e não pensa mais nisso, deixa que durma o passado, o Pedro Ortaça é o culpado de todo esse rebuliço!
Fica a panela comigo, pois dela tenho usufruto, cada segundo e minuto, lembranças do tempo antigo e - se não falo contigo, por causa de uma querela, caso eu estique a canela, já está gravado o decreto: - quando tiveres um neto, manda buscar a panela!!"