Palanque de Amansar Potro
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Esse palanque, cravado E o gateado malacara? Ali na frente da estância E o burro troncho e orelhano Tenho visto, desde a infância E aquele petiço ruano Levar trompada e tirão, Que quis se bolear comigo Sem aflochar o garrão, E que ao ficar de castigo, Embora todo lanhado, Por causa da picardia, De mordida de aporreado Passou quase todo o dia E casco de redomão. Roncando num pé-de-amigo.
Palanque cravado fundo E o negro velho Porfírio Ao lado do para-peito Que era na estância o guasqueiro Tu foste sempre o respeito E que fincava o bacheiro Da potrada, sobreturo. No redomão, pelas ventas, Poste velho cabeçudo Enquanto gritava, senta. Tradicional da campanha Pra ver se encontra descanço, Tira cisma e tira manha Pois corda que sovo ou tranço, De ventana e topetudo. Tu morres e não arrebenta.
Quanta saudade, palanque, Contigo, palanque velho, Ao contemplar-te ma dá. Nas lides de domador Meus lindos tempos de piá Nem preciso orelhador, Pelas veredas desponta Nem tampouco de maneia, Eras o taura da ponta Só com três voltas e meia Do meu primeiro rodeio Do meu cabresto bem grasso Que eu laçava pelo meio Deixo ringindo o pescoço Nas lides de faz de conta. Que o urco nem se mosqueia.
Palanque de amansar potros Eu tenho a impressão, palanque, Puro cerne de pau-ferro Ao ver-te assim entonado, Inda me lembro do berro De que estas enrraizado Daquele zaino aporreado Sem que a velhice te abrande Que como um louco, abraçado E que, mesmo que Deus mande, Te mordeu o dia inteiro Um outro dilúvio, até, E do redomão oveiro Tu hás de ficar de pé Que morreu descogotado. Pra palanquear o Rio Grande.