Cordeonita
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E já se vieram... já se vieram... a la pucha! tropel de patas, retinir de patacões, e a cordeonita, amansa teclas e botões, quanto mais tempos, mais vaqueana e mais gaúcha!
Dou doble e luz, para esse guacho! - soca o freio, bota a parada, no más - estende o pala! e a cordeonita, vai trocando a fala, no já te pego e já te largo do jardeio!
Sinos da Ibéria que acordaram tolderias, ecos distantes de tambores africanos e cantos gringos, misturados aos pampeanos, no caldeamento imemorial das melodias!
E a cordeonita dos comércios de carreira, se abre - pachola no más, floreando marcas, a relembrar fletes e lanças dos monarcas que falquejaram os dois lados da fronteira.
Uma só vida, cordeonita, é muito pouca, para os teus causos, das andanças e memórias, para os romances das peleias e as histórias que vais cantando, balbuciadas, em voz rouca!
A indiada alçada, a beira povo, já não grita, o "já se vieram", acordando as tardes quietas, já vão sumindo, tempo adentro as canchas retas - pra sorte nossa, tu ficaste, cordeonita!