Homem-guitarra
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“Hace tiempo que soy canto Hace tiempo que soy guitarra” Tenho nos dedos o vento e na garganta uma cigarra. Não sou poeta, tão pouco cantor. Sou a alma de um “payador” que em mim fez morada, sou corredor, sou estrada “De mis abuelos de ayer”, e minha alma jamais há de morrer ficando n’outro guitarreiro “clavada”!!
Na semelhança do centauro... - Misto de gente e madeira - corpo largo, braço esguio Voz de vento em mangueira... Alma de pássaro cantor que canta sobre a cumeeira.
“Homem-guitarra”. Guardião dos sentimentos. Divide seus lamentos em cordas e emoção. E quando brota no bordão um arremate em harmonia, dedilha primas em melodia com alma e inspiração.
Vertente nos dedos... desaguada em guitarra Enchente que vaza pra fora da caixa, Que inunda ouvidos em claves de sol Murmurando na várzea Pra beber o arrebol.
É sanga silente - Espelho do céu - corredeira de cordas - Imitando espinel !. -
Guitarreiro e guitarra: “Pareja” que enterneceu.
Quando a noite se estendeu Brotando a íntima cantilena, lembrando aquela morena por quem seu coração se perdeu. Com floreios de afeto - nascidos em sonata - floresce o amor em serenata no rosto que resplandeceu
E num simples instante Sua alma enaltece. Parece até que se esquece Que o tempo é inconstante! E num dedilhar de acordes - Entre milongas e vidalas - encontra uma que esbarra num floreio alucinante e amadrinha num tom marcante a melodia em copla assoviada
Dois corpos: mesma alma ! Fundidos em galhardia Sincronizados em harmonia Que até o homem se exalta. E quando os dois se amadrinham - Um o homem, o outro a guitarra - até o silêncio se cala em respeito a sua prece e o santo chão emudece porque sua guitarra é quem fala !
É por isso que... A poesia não morre porque minha voz não se cala ao ouvir o som da guitarra Ponteada com o coração, Eu sinto a mesma emoção quando um taura se encordoa e minha alma junto voa nas rimas deste violão...