Alma em Verso
Poesia

Historia do Juca

Inacio Lafte

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Era a estância mais linda E nas horas matutinas, margeando o rio Uruguai, saía pra recolhida, herdara do velho pai já ensinando na lida ainda na sua infância, o piazito ainda novo. mas o pai com arrogância Mas a china com retovo fez o Juca prometer manhosa e caborteira que nunca ia vender alarifa e retrincheira aquela bonita estância. queria voltar pro povo.

Ajoelhado rente à cama Dizia a china, que nada não adianta: num olhar pesaroso, “Qualquer dia eu vou embora, um soluço teimoso os meus filhos aqui fora lhe fez chorar sem querer: só aprendem a ser domador. “- Papai, enquanto eu viver Profissão sem valor não farei extravagância pois o estudo é muito mais seguro e vou conservar a estância e tu não vê que no futuro até o dia que eu morrer.” eles podem ser até doutor?”

E devagar passaram-se os anos “Tá certo o que tu dizes china na lida bruta da doma, e aqui tu te explicas, e o ressonar da cordeona os filhos vão e tu ficas já era o convite pra farra, minha jura não desmancho. mas nunca falta marra E como fico anjo nesta querência patrícia na volta da campereada e a china que tem malícia quando encontro tu, de cuia cevada sabe pealar de cucharra. sentadita na porta do rancho.”

Certa feita voltou ao rancho Mas tanto a china amola na garupa do dia, que o Juca não resiste e junto consigo trazia concordando mui triste, alguém do seu agrado. na brasa acendeu o pito Na garupa do tostado depois quase num grito: uma china laripona, “Mulher! Tu tá de arte... china com ares de dona Agarra tuas cria e parte, crioula lá do povoado. que aqui no mais eu moro solito.”

E ali foram vivendo, E ali no oitão do rancho seguindo a mesma trilha, viu partir a tropa miúda e no que surgiu a família depois a china fachuda. foi amanunciando de baixo, “Caramba! Barbaridade. quadras do mesmo tacho Como vou sentir saudade que não se compra na venda; deste piazote miúdo para ajudar na fazenda, ter que ir para o estudo!” uma fêmea, e quatro machos. E se vão morar na cidade.

A mão sobre a cabeça “Cumpro com sacrifícios olhando triste a partida, o teu pedido, velho santo, viu as sombras compridas não vendi o nosso campo surgindo nas cercanias. que me destes por herança. E já era o fim do dia E quando a saudade me avança mal se enxergava o campo eu saio pela colina acenando, um lenço branco curtir a saudade da china e alguém que partia. e chorar pelas crianças.”

Depois a noite escura “Deixo em teu sepulcro, como a alma do injusto, minhas lágrimas gaudérias, e o uivar de um cusco não vim cobrar miséria lhe deixou mais aborrecido. frente a tua sepultura, Murmurava no ouvido mas quero que me ajude nas alturas aqueles lábios molhados a encontrar outra prenda e aquele corpo delgado que goste da nossa fazenda e aqueles cabelos compridos. e respeite a minha jura.”

O vento, uma ave grande pelas guinchas assobiava, parecia que se aninhava na copa do sinamono. Dormiu! mas viu em sonho gravado em sua retina o corpo esbelto da china nos braços de outro homem.

E assim foi se passando os anos o rancho semi-tapera, e chegou a primavera as flores e seus mistérios. O Juca estava mui triste era o dia de finados montou o pingo tostado e foi até o cemitério.

Tremendo, cambaleante acendeu a vela santa e sentiu na garganta o infinito da amargura. “- Velho! Eu vim à tua sepultura lembrei-me do teu pedido mas papai como eu tenho sofrido para cumprir aquela jura.”