Regresso
Longe de si e dos seus A vida passou num upa. O tempo cobrou- lhe o preço Na distância das estradas. Pra trás, o pó das ruínas Nas taipas dos corredores... ...Junto à memória das tropas De nostalgia empedrada. Rastros de idas sem voltas, Canto de esporas caladas... Cincerros timbrando o bronze Na cicatriz dos aboios. E os veios dos mananciais Que seguem no mesmo rumo Guardam vozes de saudades No murmúrio dos arroios. Pelos caminhos sentidos Que agora se faz história, A abreviatura encrustada Enternecida na terra. Plasmando a ânsia olvidada Pela insistência perene No vigor dos “pajonais” -num memorial de tapera-. Não foi por andar solito Que definhou solitário, Mas por perder-se de si Entre o galpão e o povoado. A ambição aprisiona Quem traz pelo cabresto Os sonhos que mal golpeados Deixam o índio extraviado. Mesmo que a Dalva aponte O rumo que destrilhou, A sorte é pouca no mas Pra reencontrar as veredas. Em cada olhar “cacimbeiro” A reluzir sua essência Se despe da própria imagem -numa bombacha de seda-. Calos e rugas tapeadas “Bajo” um sombreiro surrado, E um lenço mal conservado Que desbotou sem sofrer. Mas sofreu a dor das casas Sem os gritos da peonada Nos alvoroço das domas Dentre as razões de assim ser. São tardes de primaveras Sentindo o aroma adoçado Das laranjeiras maduras E as flores da maçanilha. São noites largas de inverno Se aquecendo ante um borralho Que lento pita em braseiro Um cerne de coronilha. São milongas desatinadas Que também buscam guarida Na calmaria de um grilo Que ponteia sua guitarra. Contracanto seresteiro De outros tantos cantores Que habitaram os banhados Num orquestral de chamarras. Se hoje chegasse a bonança Depois de ter gauderiado. Depois de andar nas vielas No sendeiro da ganância. Resplenderia na copla De um assobio de regresso... ... de quem depois de uma lida Volta cantando pra estância. Talvez se encontre ao volver Com as coisas simples de sempre, Ao ver a riqueza sonhada Ao seu lado no costado. Ninguém foge do destino Que já trazemos escrito, Pra resgatar outros pealos Mal firmados do passado. Pior que a doma de um potro Que foi cortado da boca, É botar bocal no orgulho Descurinchando a vaidade. Pra refazer um caminho Ou volver pra si e pros seus... ... não basta apenas coragem, É preciso ter humildade.