Luz
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Luz amarela Que enfeita a janela De um quarto de ronda Luz flamejante Que brilha constante Na lua redonda. Luz que da vida Na chama cativa De paz e caminho. Luz que enternece A alma que aquece Os tantos carinhos. É em luz que desfolho O brilho dos olhos De cada alvorada. Na luz que se escora A pua da espora Domando a potrada. Por isso procuro A luz no escuro No rastro do campo. Emplasto de açoite Na calma da noite De algum pirilampo. Até mesmo na cruz Encontro minha luz De braço estendido. Num homem pregado Pagando o pecado Sem ter cometido. A luz da palavra É o arado que lavra A folha da terra. A luz comovente Que esparge paciente As dores da guerra. As luzes que espalho Se banha de orvalho De cada sereno. Na benção da prece A luz que enaltece Meu mundo pequeno. Na argola do laço Que a força do braço Da luz à uma armada. Luzindo na guampa De uma vaca pampa - Cabeça entocada -. Na camba do freio De um pingo em floreio Que a rédea sujeita. A estrela na testa Pra Dalva que empresta A luz que lampeja. Assim sem reclame Se estende no arame A luz do alambrado. Na farpa do grampo As luzes do campo Me fazem costado. Crepúsculo vivo Que o ferro do estrivo Esparge na encilha... ...traduz o encanto Da lida de campo Da ilhapa a presilha. Repito minha fala Na luz que arregala O olho da lua. Cheia de anseios Encontro em seu seio Minha ânsia xirua. A luz é a energia Que aflora em poesia Em cada vivente. A luz é uma planta Que do chão se levanta De fecunda semente. O espelho reflete A luz que compete Com a própria figura... E adentro de si, Se chora e sorri Na mesma moldura. De luz somos feitos E a luz que sujeito Transcende a essência. Por isso vos falo Que até meu cavalo Traz luz pra Querência. A luz não assombra Apenas faz sombra Na imagem estendida. Por isso Jesus Fez do ser uma luz Na estrada da vida. Sextilha de luz Que em luz se traduz No branco papel... Assim me confesso Buscando o progresso No rumo do céu