Faz Tempo Sou Pé de Espora
Venho ao meu tempo senhores contar de um tempo antigo, que nunca vi, nem estive mas que em mim sobrevive, sem ter razões pra partir...
Tempo humilde de ranchitos, tempo de prosas e preces de andantes de a cavalo, de romances e pealos que ao tempo, nunca se esquece...
Tempo adoçado na sombra de pitangueiras floridas imaginando outra vida, talvez diferente desta... Onde sonhar... Era vago. Querer... Um rumo distante Ser... Uma obrigação eterna, Na condição mais fraterna, de saber envelhecer...
Quem teve longe um amor, nesta vida caminheira sabe que a estrada real, fez seu rumo desigual, deixando apenas, poeira!!!
Conto de um tempo igual, diferente nas pessoas que tinham almas tão boas, quanto um carinho de mãe. Mesmo tempo, outro rumo, “quem mudou mesmo, fui eu...” E o tempo reconheceu e quis seguir do meu lado... Um ser de destino alçado sem saber onde apeiar, com esperenças terrenas querendo desencilhar...
Um ser ainda incompleto, procurado um dialeto pra com os tantos, pensar...
Destino inquieto que tenho, de querer mais do que posso... Conto de um tempo que é meu conto de tempo tão nosso Minhas palavras, meu modo sem respeitar leis ou datas ouvindo de longe as patas da cavalhada em retoço batendo bombos na terra, qual carga braba de guerra. No mesmo ciclo que encerra, - heroismo e compromisso - e um barbaresco feitiço de alargar as fronteiras ao mando de quem as queira, tanto pro bem, ou pro mal...
Tempo exato e racional, de quem viveu, sem viver. Na alma, o pouco de um ser, que nunca soube direito o que deve, ou não ser feito, quando de fato morrer...
Senhores, conto de um pago de vacarias extensas de pradarias imensas, de gado alçado e cavalos de empurrar éguas nos valos pra diminuir a manada. De couro farto, e de charque, de tropas, e corredores de patacões e Senhores, os mesmos, que agora falo... Tempo é roseta de espora, cutucando a vida inteira...
Na sina mais caborteira, que Deus, escolheu pra um “home”. Que é de honrar o seu nome, a descendência, e a família de seguir a própria trilha, sem se perder no caminho buscando, sempre pertinho, a luz, que a lua inda esconde e quem sabe, não sei donde, um dia achá-la, sozinho!
(um trago agora e mais outro, pra me “adoçá” o pensamento)
Eu sou mais claro que o vento, “mais puro que a estrela D´alva” o amor, é a razão que salva, quando a razão anda a esmo. Por isso, o tempo que é meu, é também, de tantos outros que eternizaram nos potros, a mansidão de si mesmos...
Reconheci o meu tempo, dentro de tantos escritos entre o saber, e seus ditos, de entender a distância. Daí talvez esta ânsia, este querer infinito, este buscar desmedido tentando achar um sentido, pra algumas dores da alma que o corpo, amarga e acalma, dentro da sua verdade. Temos nossa identidade é a própria paixão pagã de acordar toda a manhã, sem saber nosso “adelante” sabendo que cada instante que a vida nos cobra o preço somos o ontem do avesso, campeando um novo amanhã.
Senhores peço licença. Talvez o tempo que eu falo, seja a maior diferença, entre a verdade que tenho e toda essa minha crença...
Sou o que quero e consigo, e o que campeio no fim... Não sou de um tempo de agora Faz tempo sou pé de espora, com outra igual, junto a mim...