Prenda Gaúcha
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Eu sou prenda gaúcha Reparem no meu estilo Este meu jeito tranqüilo Expressa a minha imponência Tenho a mesma procedência Do centauro farroupilha Eu vim pela mesma trilha Que o homem gaúcho veio Com mesmo amor...mesmo anseio Pela terra que sou filha.
Eu sou a mulher gaúcha Da mesma raça baguala Que o gaúcho quando fala Me chama apenas de prenda Esquece que fui legenda Que a história pouca contou E o homem nunca notou Cruzando no tempo afora Por isso lhe falo agora Da prenda guapa que sou.
Eu sou aquela que um dia Por força das circunstãncias Fiquei comandando estâncias O campo e a gadaria Enquanto o taura partia Cruzando fronteira e serra Indo ao encontro da guerra Porque o dever o chamava Era eu que aqui ficava Tomando conta da terra.
Eu fui peona e fui patroa Lidando com bois de canga Fui maragata e chimanga Sem escola, sem estudo Gaúcha acima de tudo Tendo o pampa por tesouro Plantava e castrava touro Na hora que precisava E muitas vezes sangrava Carneava e tirava o couro.
Fui tropeira e aprendi Toda lida campesina Pois tudo o que a vida ensina Pra sempre nos acompanha Fui parteira de campanha Quando a vida me exigiu Nas longas noites de frio A tristeza sempre vinha Porque aqui fiquei sozinha Quando o gaúcho partiu.
Enquanto lá na batalha O homem macho peleava Era eu quem trabalhava Enfrentando os empecilhos Domando e criando filhos Sentindo do homem a ausência Mas lutei com persistência Porque se o taura voltasse Queria que ele encontrasse Do mesmo jeito a querência.
Fui eu que através dos tempos Pelo homem fui lembrada... Como mulher...e...mais nada Do Pampa Sul Brasileira Esqueceu que fui guerreira Xucra, altiva, sem retovo Pelo meu pago e meu povo Lhes digo com altivez Se precisasse outra vez Faria tudo de novo.
Fui eu que fiquei à espera!... E quando o taura voltava, Era eu que lhe curava As feridas das batalhas... Fui eu que fiz as mortalhas Na hora da despedida, Fui eu que por toda a vida Vim andando do seu lado Vendo ser condecorado E eu sempre sendo esquecida.
Eu não estou reclamando De nada que eu tenha feito Apenas quero respeito Pela prenda e pela china Esta altivez feminina É a mesma onde quer que eu ande Mesmo que o gaúcho mande Com machismo e arrogância Que não esqueça a importância Da mulher...do meu Rio Grande. Sem ser mais do que ninguém
Encaro o macho de frente
Digo a ti taura valente De estampa altiva e robusta Não vais pensar que me assustas Nem me julgues “pequerrucha” Nem você adaga e garrucha Te faz tão grande parceiro... -Saibas que tu coube inteiro, no ventre de uma gaúcha!...