Gaudério
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Gaudério é o índio que andeja Daqui pra ali na querência, Desfrutando a convivência Com todo o tipo de gente, È o xiru, quebra valente, Que nunca teve parada... Vive a repontar na estrada O passado pro presente.
É o qüera que vive solto Tal e qual o pensamento É o sopro forte do vento Que na cerca bordoneia Enquanto o taura cesteia Deitado em “riba” a encilha É o índio em pé na coxilha Disposto pra uma peleia.
Gaudério é o peão andarilho É o andante... é o caminheiro... É o cruzador missioneiro... Que a passos lentos avança, É o choro de uma criança Porque a chupeta perdeu, E abandonado, cresceu, Sem perder nunca a esperança.
Gaudério é o viajante livre Senhor do próprio destino O cruzador campesino Que cresceu no abandono Não tem senhor nem patrono Que lhe governe ou lhe mande Só tem amor ao Rio Grande E ao pingo do qual é dono.
É campeador de futuros É o tropeiro de repontes Que vai cruzando horizontes Na noite clara ou escura No seu olhar tem ternura Estoicismo e persistência Vai de querência em querência Sem saber o que procura.
É o vaqueano das coxilhas O ronda do corredor Peão de estância...domador, É pajeador jundo ao pinho, Mesmo vivendo sozinho É difícil que se perca Só sente raiva da cerca Porque lhe corta o caminho.
Gaudério é o índio liberto Senhor de tudo que avista É o cantador nativista Que nos versos se esparrama Cantando em canções, o drama, De uma vida “reculuta” É o guasca pronto pra luta Quando o Rio Grande o chama!
Eu também que gaudereio Pronta a ponta este universo De acavalo no meu verso Que todo gaudério inclui, O direito não me exclui De manter este critério... Meu verso eu faço gaudério Do mesmo jeito que eu fui.