Eterna Sabedoria
Rufando o tambor das asas, A garganta funda dos galos, Brota no atavismo sonoro... De um canto “leguero”! Povoando sesmarias... Sonorizando ranchos, Galpões, potreiros...
O couro cru dos catres sonolentos, Se alivianaram dos cansaços já dormidos!
A cacimba de sangue transparente Na bacia de louça descascada. Apaga rastros de sono Reacendendo a madrugada!
Na respiração dos nervos frouxos, Resmungam as canções para encontrar a lida. Escorado na porta do galpão, Por trás dos olhos. O campo, mistura de recuerdos! E o campeiro emoldurado, Num silêncio grande... Cismando, bendiz seu tempo De cruzar na vida...
Na canhada, Que se derrama até o campo manso das casas, Desabrocha um sol de bronze... Despindo vultos de noite... Pintando vultos de dia...
E a alma das flores xucras, aromando, Cruza retouçando na quilina dos ventos...
O inverno estropiado, acordou na primavera! E do bico novo das asas livres, Florescem canções eternas! Nem modernas nem antigas, Nem ânticas nem modernas... Porque é assim que a essência viva, no dialeto das eras, Inventa sabedoria Pelos caminhos da terra!