Onde Eu Encontro Meus Versos
Versos são letras com asas que voam junto com o vento, e chegam servindo de alento pra solidão junto as casas… Versos são pontas de adagas no entrevero das peleias, e o sangue a pulsar nas veias quando o braço se destrava.
Versos são línguas afiadas nos desafios de uma trova, que mesmo na lua nova deixa a alma iluminada… Versos são vozes de gaita em um bochincho campeiro, é o tremular de um candeeiro num rancho feito de taipa.
Versos são gritos de guerra no fulgor de uma batalha, quando o sangue rubro espalha manchando o seio da terra… Versos são berros de touro no fundo de uma invernada, sobre a barranca da aguada que ele fez de bebedouro.
Versos são lanças erguidas numa carga farroupilha, são patas de uma tropilha voltando a querência amiga… Versos são os ovelheiros em volta de uma mangueira e em cancha reta campeira são cascos de um parelheiro.
Versos são as cantilenas de umas esporas campeiras, são as estrelas matreiras filhas do pampa ventena… Versos são águas de sanga refletindo a lua cheia e o lerdo boi que passeia se achegando junto a canga.
Versos são velhas taperas com cacimba no costado, são pingos bem alisados tratados só com quirera… Versos são quartos de lua na quietude da coxilha e o cheiro da massanilha sagrado jujo charrua.
Versos são choques de guampa nos entreveros de tropa, é lida em costa de grota pelas canhadas do pampa… Versos são causos campeiros contados pelos galpões, são os chiados dos fogões aferventando pucheiros.
Versos são olhos de china com juras de amor eterno, e em dias feios de inverno o galpão que nos confina… Versos são sonhos contidos que do peito se desgarram, são tramelas que destravam o manancial dos sentidos.
Versos são brasas acesas num tosco fogo de chão, e o sabor do chimarrão que traz alento às tristezas… Versos são tiros de laços na várzea de uma invernada, são beijos da prenda amada no calor de um longo abraço!