Dia de Chuva na Estância
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O dia nasceu sisudo O sol não apareceu E um trovão se perdeu Nos confins do firmamento E um chuvisqueiro lento De mansinho foi caindo Chão adentro foi sumindo E o pátio ficou barrento.
Há muitos meses não chove Por estas bandas, Patrício! Pois a chuva é um munício Que não pode nos faltar Ela vem alimentar O pasto e a plantação O açude e o sangão Que por pouco iam secar.
Depois que a chuva começa O tatu salta da toca O quero-quero arranca minhoca No potreirinho da frente Dá uma alegria na gente Ver a pastagem brotar E a sanga transbordar Até no passo, dá enchente.
O gado sobe a coxilha Como a dizer, obrigado, Ao grande Patrão Sagrado Que nos criou, e não erra A vaca, o terneiro berra O cavalo escaramuça E o aguaceiro se debruça Sobre o lombo da terra.
É lindo ver o bicharedo Comendo a grama verdinha Os patos, ganso e galinha. Também deixam o galinheiro Os porcos saem do chiqueiro Pra fuçar nas batateiras Onde ontem tinha poeira Hoje virou atoleiro.
Mas é quase meio dia A peonada no galpão Uns tomando chimarrão Outros consertam arreio; Por causa do tempo feio Nem foi feita a recolhida Pois não saíram pra lida Nem deu pra parar-rodeio.
Depois da bóia, a peonada Pega no cabo da cesta Com esta chuva, só o que resta! É dar uma cochilada Depois é dar uma espiada Se o tempo velho se abriu Mas a seca se sumiu Aqui no pago, moçada!
Dia de chuva na estância, Meu patrício que beleza A chuva é a certeza De que a vida é de fartura Pecuária e agricultura Crescem da noite pro dia Parece até uma magia Pra quem sofreu com a secura.