Gaudério
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Entre uma saudade e outra é assim que vive um gaudério, nesse imenso presbitério, encolunados de serras. Não tem querência, nem terra, nem origem, nem destino... Sacerdote teatino do culto dos avoengos.
Foi o primeiro andarengo - cruzando pampa e coxilha, que fundou essa andarilha confraria dos errantes. Desses que levam por diante suas penas desmamadas e as ilusões esquiladas pra sanga azul do horizonte.
Sonhos magros, em reponte, seguem pastando distâncias; as estranhas ressonâncias de saudades chimarronas se entreveram, querendonas no corredor do infinito. E segue o primário rito do atávico nomadismo.
Há um profundo misticismo no gauderiar dos andejos! Desde menino há desejos de ver atrás das montanhas; de investigar as entranhas do mistério das paisagens e devassar as miragens de horizontes interiores.
São congênitos pendores do quixotismo da raça. E nesse andejar se passa a pura flor da existência sem parador, sem querência, batendo casco a lolargo, tragueando no mais o amargo suave das nostalgias.
A doce melancolia é a embriaguez do gaudério. Há um insondável mistério no chamado das estradas e a vontade desmaneada de voltar por onde andou.
Quando a jornada findou sente a absurda verdade: saudade de ter saudade porque a saudade acabou!