Gaúcho
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Nosso gaúcho. Chiru bravo, forte aguerrido que lutou, não foi vencido. E que deixou na coxilha sua marca e seu sangue pela causa farroupilha.
Nosso gaúcho. Nosso herói, nosso homem, companheiro. O gaúcho, nosso amor. Q’inda nos dias atuais luta e batalha com ardor que a sociedade de hoje exige cada vez mais, e pouco lhe dá valor.
Mas, gaúcho, não te esqueças, tu nunca estiveste solito. E isso, pouco a história revela quando, nos tempos de guerra pra defender nossa terra, nosso Rio Grande bonito na trincheira ou na cancela uma mulher, tua prenda, ficava na sentinela.
E aquela prenda que um dia, a teu lado também lutou se amancipou, ficou livre, cursou até faculdade, te ajuda nas finanças e quando volta pra casa, casada e quase vencida, lava roupa, faz comida e a inda cuida das crianças.
E hoje nós dois, gaúcho, seguimos a mesma trilha, e, embora na sociedade, a mulher abriu caminhos, se destacou e até brilha. Por ti, gaúcho, a mulher chora, sofre e até se humilha.
Por isso é que hoje te digo que continuo na luta contigo até morrer. Mas nas páginas da história escreva para não esquecer: Que aquela companheira, mãe, amante... esquecida, teria o fardo aliviado, teria por acalento, sentir-se-ia uma estrela no alto do firmamento se ao voltares pra casa, aborrecido e cansado das lutas e do vai e vem, tu gaúcho, tu num gesto de carinho lhe dissesse bem baixinho: te amo, te quero bem.