Alma em Verso
Poesia

Forja do tempo

Luiz Antonio Weber

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Era tempo de colonização... Alemães...pomeranos, polacos... Fritz, Bertholdo, Gustavo.

As mãos rachadas qual terra castigada pelo sol em tempo de saca forte. o rosto o suor abria caminhos na fuligem os olhos...Ah! nos olhos! Havia desejos, vida, esperança... o cripitar do braseiro havia sonhos, no ferro doce que amargava o calor e quando o rubro lhe possuía, a marreta espremia suas moléculas compassadamente sob a bigorna forjando sonhos, desejos, esperança de vida...

As ferrarias nos povoados foram pontos de encontro nos dias chuvosos. Vizinhos, fregueses, viajantes falavam do tempo, plantações, filhos que vinham... Casamentos se costuravam, falecidos que deixavam saudades eram relembrados...

O ferreiro concentrado no tempero do aço, tinindo num compasso, qual coração apaixonado...

Forjando enxadas para carpir esperanças, foices que abrirão horizontes, machados para construir casebres de sonhos, ferragem de carroças que desafiarão tempo, transportando lembranças... tempo que calou o tique-taque da bigorna.

As ferrarias estão por aí, semidestruídas... A bigorna largada num canto... Na forja hoje, dorme um gato enrodilhado... Mas nas paredes está entranhado um relato de amor à profissão que construiu uma história de vida, esperanças e sonhos!

Dizem que ao redor das ferrarias, em noites que a prata da lua se funde com o ouro das calêndulas, ouve-se o tique-taque da bigorna... Ou será algum coração apaixonado?