A beira do Rio
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Neste sentido aragano Que em mim a pouco surgiu, Eu enxergo um homem triste Sentado à beira do rio.
Olhando firme o balanço E as requebradas da água, Antônio, homem valente, Sentava à beira do rio Pra ruminar sua mágoa.
Tinha seu rancho bordado Rama, barro e santa-fé. Seus filhos todos pequenos, Com seus rostinhos morenos Apeteciam calados A hora santa do pão.
Embora naquele drama, Antônio tinha esperanças Indo buscar pras crianças O próprio rio em canção. Sabia que era difícil Esta luta costumeira De jogar redes pesadas Nas correntezas ligeiras E abraçar-se co’a sorte Junto as malhas feiticeiras.
Sabia que era dos filhos A grande necessidade, E como tal o destino Fizera dele um menino Nas águas da mocidade.
Talvez, enquanto pescava, Antônio se distraía Sem ver que o mundo caía Lentamente sobre si; Pois quando a vida castiga Não há um que não se queixe E o rio que não tem mais peixe Não se encontra um lambari.
E foi assim que Antônio Abandonou sua praia... Deixou pegadas na areia Deixou a linha e a rede E encheu seus olhos de água Como se fossem recursos Pra nunca morrer de sede.
Foi aos trancos e barrancos Juntando quinquilharias, Sonhando co’as alegrias Que eram matreiras e escuras E não brindavam farturas Porque as mãos eram vazias.
Porém, o filho mais velho Que se tornara mocito, Já ficando taludito Se fez homem junto ao Pai. Enquanto a mãe embalava, O mais moço que chorava, O ranchinho perguntava Pra onde o Antônio vai?
Ora é triste, mas é verdade, Antônio vai pra cidade Campear a sorte talvez, Leva um chapéu desabado Sobre o rosto empoeirado E um coração machucado Pelas bravuras que fez.
E foi pescar lá no povo, O peixe da ilusão. Em outras águas, porém, Ele é peixe também Na isca feita de pão.
Agora , vive distante Daquela praia silente, Tocando os sonhos pra frente, Num bárbaro desafio, No meio do pobrerio Antônio lembra o ranchinho Que triste ficou sozinho Junto à barranca do rio.