Faca Marca Coqueiro
Publicado em
Quem me deu este presente Foi um índio macanudo Me deu com bainha e tudo Com a chaira junto também Uma faca melhor não tem Ajuda até na cozinha Na delicada mãozinha Da prenda que eu quero bem.
Já cortou costela gorda E guisado pro carreteiro Ganhei de um índio campeiro O presente que está aqui. Foi lá em Piratini No berço da tradição Foi uma tropa de emoção Na hora em que recebi.
Cabo de chifre bem feito Da guampa d’algum zebu Bainha de couro cru Porque tem mais resistência É ali sua residência Com a chaira na garupa E eu carneio um boi num upa Nas carneações na querência.
Atravessada na citura Anda sempre bem afiada Já abri até picada Nos matos ande me meto Pra o fogo cortei graveto Usando minha faquinha Que corcoveia na bainha Quando vê carne no espeto.
Não tem dinheiro que pague Este pequeno tesouro Já cortou bagos de touro E a cola do meu tubiano Nas festas de fim de ano Degolou pato e peru E cortou muito caracú Para extrair o tutano.
Dia de chuva no inverno Na profissão de guasqueiro Eu consertava o apêro Se houvesse necessidade E a minha faca com vontade Tirava um tento num corte Pra trançar o laço forte Da nossa grande amizade.
Minha faca não é prateada Mas sim, feitio de ferreiro, Que caprichou no tempero E que no ofício se garante A faca corta bastante Por onde seu fio invade Só não corte esta saudade De alguém que vivo distante.
É mesmo buena de fato A minha marca coqueiro Já cortou canzil e fueiro Fez espeto, fez estaca Já tirou couro de vaca E com muito orgulho digo Que nem pro pior inimigo Eu nunca puxei minha faca.