EX CARRETA
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Viu, Aurélio?, Gaiota deve ser gaiola (sem a travessa no tê).
Gaiota é clausura onde se encerram distâncias. Recinto fechado de direito concedido às estradas.
Dela não sai rastro nem o som da terra.
O seu procedimento está no asfalto perdendo ruídos suportável na aflição das máquinas sem estilo próprio.
Gaiota não tem horizonte esbarra nas esquinas.
Perdeu a vontade de andejar porque os rumos se corromperam deixando sonhos pelos acostamentos.
Não tem a Estrela d’Alva nem o passo a passo da esperança porque a pressa do pão não tem pachorra de bois.
Basta uma gaiota para carregar misérias.
O atrelo é diferente da canga E a regeira da piola.
As cargas de erva-mate e de fumo não têm afinidades com papelões (nem a tulha com saquinhos de plástico).
Por outro lado o delito ainda é maior usa um cavalo no cabeçalho (que nasceu para os arreios).
Viu, Aurélio? Enquanto a chapa soldada a forja e areia cintando o cambotado rodando rodando pesarosa no gemido elevado de levar da carreta cada vez mais longe estava o progresso do sul.
O espírito dela era a dor do eixo lá estava o ser livre. Sua gemência ligava à Terra elevando no espaço o que o vento pedia que a cada pouso o tempo cuidasse de aquerenciar.
Lá mostrava aos homens o que era tolerância pelo sebo da untura da vida e pelo carvão sem veemência.
Por isso hoje o chiar de uma chaleira nos puxa o coração à paciência. Por isso que o choro de uma criança querendo futuro nos leva ao passado. Por isso que o gemido de qualquer portão homenageia as estradas.
Por isso que estas cidadezinhas com cadeiras de cambotas ringidas entardecendo calçadas têm as dores elevadas do sacrifício dos rastros para os amanhãs.
Não dos amanhãs que andam hoje pelas ruas das gaiotas destes amanhãs que voltam aqui de novo carregando os jogados fora que o coletivo pessoalmente das famílias não sabe da fome dos lixões.
Veja só, Aurélio, cada órgão da carreta nascia no mato copiado de pássaros para o sobrevir do Rio Grande e cada órgão da gaiota vem da sucata para a sobrevivência das periferias.
A gaiota vive de carreto (pelo menos conserva o nome de família).
Quando os bois eram cangados na boieira nos fogões apagados pousavam sonhos de moradia não de algo indeterminado como nos sorteios de casa própria.
Enfim gaiota é crise mesmo de carreta que conforme o teu livrão: - Fase difícil, grave, na evolução das coisas.