Estrela Cadente
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Primeiro veio a boieira, Solita no céu sem fim. E cintilou para mim, Da maneira costumeira. Peguei na trempe a chaleira E a cuia enchi... devagar... E então fiquei a matear Bombeando a noite campeira. Neste pampa, a céu aberto, Quantas noites já passei... Desde piá eu gostei De cavalgar rumo incerto... E depois dormir coberto Por este manto estrelado, Bebendo o orvalho, calado, Meu pingo pastando perto. Eu fui criado à-lá- cria, Meio xucro, meio guacho, Andando de cima abaixo Em busca de serventia. Sempre demonstrei valia, Fui domador, fui peão, Mas nunca aceitei patrão: Minha vontade é meu guia. Como uma estrela cadente, O meu rumo eu desconheço: De dia eu desapareço No horizonte à minha frente. De noite eu paro somente O tempo de descansar E, às vezes, para ficar Olhando estrelas... silente. Vem a boieira primeiro... E depois a três marias... Outras estrelas vadias Enchem o céu de luzeiro. Mas quando chega o cruzeiro, Posso dormir, é o sinal De que o Patrão Celestial Me protege o tempo inteiro.