Alma em Verso
Poesia

Esqueçam de mim

Márcio Nunes Corrêa

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Pois hoje eu decidi: - Já chega de desencanto! Não quero choro ou pranto que afinal eu não morri. Vou dar as mãos a um sentimento que carrego faz um tempo, talvez junte alguns dos cacos que guardo no apartamento, e depois...e depois eu vou me embora pro campo!

Esqueçam de mim... Se ficar alguns trocados pra o deleite de algum banco... Por favor, não façam fila, cheguem no más pro gerente e saquem todos os pilas. Digam que são da minha gente, sabem da origem da plata: - Ele ganhou trabalhando a suor e dignidade! E a nós pela amizade foi dada a incumbência, de achar nesta querência tauras da mesma valia, pra dar toda esta quantia em pão, estudo e...quem sabe quem sabe canha, por que “ela” também alimenta só que de fomes diferentes!

Esqueçam de mim... Da minha morada povoeira. podem tomar conta também... (e de tudo que acharem). Dos desenhos do Noé dando vida pras paredes, - quem sabe matem a sede nos meus litros de butiá! Daquele banco pequeno forradito de pelego.... da argola do meu primeiro laço, da adaga de aço antigo guardada numa gaveta, onde - se procurarem - encontrarão alguns versos que fiz pensando na vida, naquelas noites compridas em que eu sonhava disperso.

Mas peço o maior respeito, com aquele que contra o peito tanta alegria me deu! Deixem o meu violão sossegado em sua poeira, tirem as cordas e então, percebam contra os trastes uma ferrugem insistente, do sal que chorei cantando quando me fui sorridente!

Esqueçam de mim... Que eu já não podia mais com a falsidade de muitos... Eu fazia que não via e não dava conta de nada, - Mentira das mal contadas! Por dentro eu me corroia de ver tapinhas e risos, e depois de dobrar a rua saber que línguas em pua julgavam até o meu silêncio!

Esqueçam de mim... Dos meus defeitos, enganos... afinal sou ser humano - igual a ti meu irmão - no acerto e na imperfeição. Mas uma coisa é fato em tudo que fiz e faço, mesmo depois de um puaço, (por feio que seja o tombo) incho o lombo, abano o toso, e me apresento de novo...

Esqueçam de mim... meus inimigos ferrenhos. Que vendo aquilo que tenho, talvez se invoquem bem mais!... Como já disse lá trás, - “Inimigos deixo a Deus” cultivo os amigos meus...”, pois esses merecem meu tempo, meu pensamento, minhas palavras... Os contrários... – Bueno... ...deixo a Deus!

Esqueçam de mim... Amores que eu tanto amei... Sim, amei a todos. De um jeito ou de outro, mas amei!... Das marcas que eu cantei guardem apenas saudades! Mas que sejam saudades boas - Dessas que pedem retorno, dessas que tiram o sono lembrando de beijos e afetos... Portanto, tentando me esquecer nunca me esquecerão. Por que eu confesso, jamais me esquecerei, - que os amores são eternos, apenas ficam latentes, talvez esperando que a gente volte num sonho...talvez!

Esqueçam de mim... meus amigos verdadeiros... - Vocês sabem que estarei bem de bem! No paraíso, que é pra mim e pra vocês também: O campo! Gado, cavalos, cachorros, o ar, mangueira, matos, sangas...tudo... Uma mulher linda e companheira, que será pra vida inteira... Enfim, um mundo pra o meu cultivo, um motivo a cada instante. Assim, fiquem em paz, porque eu serei parte dela!

Esqueçam de mim... e se de mim perguntarem digam que tão somente eu fui me embora pro campo!..