Alma em Verso
Poesia

Trem da Madrugada

Élson Lemos

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Corta o silêncio da noite um “sonido” que ouço ao longe. Apitando na passagem, lá se vem, o velho trem... com seus insones vagões. Ás três horas da manhã, cinco noites por semana, cinco longas madrugadas, cinco insônias que me levam até a próxima estação.

No apito há uma magia que se espalha noite adentro, mas o sono me abandona e se vai pegando carona no interior de um vagão. Volto a um tempo distante, calças curtas, pés no chão, caminhando pelos trilhos na imensidão que se vai... ...entre vergalhões de aço dormentes e pedregulhos em direção ao passado, me deparo ensimesmado a perguntar pra onde foi o meu velho trem de lata que percorria distâncias nos limites do “terreiro” ante a sombra de um galpão?

Num instante volto a mim remoendo um pensamento envolto em tempo e distância, e vejo que o trem da saudade levou pra longe a infância num adeus pra nunca mais... ...os tempos hoje são outros e já não viajam nestes trilhos a inocência e a fantasia dos piás!

Já quase clareando o dia, hora de cevar um mate e encarar a lida dura de mais um dia que chega, e no trote largo do tempo; uma manhã que findou... ...depois a tarde, a noite, mais adiante a madrugada chega trazendo outro trem... ...que ao longe vem apitando, carregando o meu sono e na distância se vai. As três horas da manhã cinco noites por semana, cinco longas madrugadas, cinco insônias que me levam... ...até a próxima estação!!!