Razões da Liberdade
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Liberdade é potro escarceando no verde chão da coxilha, ruflando crinas no tempo sem jamais conhecer encilha. É sonolento rio gemendo a serpentear o leito da terra, constante e lento andando varando campinas e a serra.
É soalheira nublando penas no vôo do tahãs e peito sangrado em saudades do tempo passado. É o doce amargo sorvido na solidão das manhãs e pungente telurismo no fundo da alma, enraizado.
É o candieiro da Lua prateando o campo-escampo e vasta solidão chegando no mais sem alarde, são cismas avoengas ruminando sonhos guardados, entropilhando saudades que se agrandam ao fim da tarde.
É o vento caborteiro, uivando na ramada da figueira, enquanto o mangrulho de sentinela na imensidão bombeia o gado alçado, que pinta os pagos na polvadeira. É a tarde tisnada de lumes dourados que à noite incendeia.
É o sangue vertido nas peleias brabas dos farrapos, miscigenando o rubro caudal da vertente migratória, legando coragem ao gaúcho nessa luta feita pra guapos, que desenhou o território demarcado numa linha ilusória.
Simbolizando esta raça, da Pátria mater herdados este orgulho, este apego ao chão e esta estampa altaneira. Na flâmula: campo, ouro e luta alteando sentimento tremulam heroísmos na face ímpávida da bandeira.
Assim moldou-se a Querência, embuçalando nos tentos, anseios do mundo novo nesta terra sem bandeira. É indomável como os potros, mais livre que o pensamento. Foi mesclando, de uns e outros, coragem e fibra guerreira ungidos por ideais de igualdade e humanidade, somando nas urdiduras, as alegrias e desalentos deste pampa sem fronteiras, aos ventos da liberdade!