Arrimando Cansaços da Vida
O carão já cansado reflete nas rugas que os sóis pincelaram ... canseiras e agruras. Como velhos retratos roídos, amarelos e desbotados... retratam amenidades, sofrenaços da vida e recuerdos perdidos nas lonjuras.
Teus olhos já turvos - são janelas do pampa. Embaçam miragens que os tempos nublaram e curtidos da lida, agora, repontam campeiras imagens de a muito "olvidadas".
Teu tronco curvado ao baixeiro do tempo - Um cerne de angico vergando-se ao vento ! Troteia no “povo” chibando misérias e fazendo biscates pr'o rango mixado. Quando finda a tarde, ao acaso tonteia rudezas, sorvendo a sorte palmeada nos mates, amargando as tristezas como boi abichado.
Tronqueiras... tuas pernas - Esteios do pago ! arquearam ao lombo do zaino. Incertas fraquejam, em passos vagos andejam sem rumo e sem norte, sem botas desgastadas e sem estribos. Tropeçam "a lo largo" reculutando invernadas, sem prumo vagueiam pra changa dos cobres em longas tropeadas.
Tuas louras melenas - ouro dos arrozais. Cobrem-se das invernias dos muitos agostos. E a colorada das guerras - um símbolo libertário, eternizas ao pescoço nos bailes de rancherio e carreiras em alvoroço.
Tua alma campeira perdura no fole da gaita. Os olhos verde- ternura, verdejam nos campos teu jeito de taita.
Da face cansada, ausentou-se o sorriso. O olhar esfumado distanciando a paisagem, pernas arqueadadas arrimando basteiras, e as melenas mouras de eternas geadas, ao sopro dos ventos embanderam soalheiras...
São lascas dispersas, vestígios amargos das horas sofridas na rude labuta. São guerras sem glórias, e marcas das perdas que tu, velho tata, tranqueaste na história a mango e sogaços.
Hoje... só "ajunta" cansaços, recuerdos da lida saudades da vida, e lutas... sem vitórias !