Campeiro e Urbano
Irmandade capesina Um pajador “te saluda” Na paisagem macanuda Desta vida citadina “El gaúcho” de toda clina te diz com autoridade pois viveu a realidade quer campeira, que urbana já viveu a campechana e hoje vive na cidade.
Claro, quem vem pra cidade Morar numa capital Acha tudo desigual E já devereda estranha Mas, porém,depois que ganha Um pouquito de experiência Segue na mesma cadência De jeito de citadino Sem nunca perder o tino E os costumes da querência.
Mas aquele que é nascido E criado na cidade Tem sempre curiosidade Do campo desconhecido Com seu mundo definido Pois é fruto do ambiente Mas é gaúcho igualmente Por força do atavismo Que o calor do gauchismo Vive no sangue da gente.
Não há diferença alguma Na coragem, no arrojo, Pois se um bebeu apojo O outro, chopp com espuma, A raça pampa, é só uma, De um misticismo bem alto Sofre o mesmo sobressalto A mesma ânsia sem medo Salve o guasca do varzedo E o gaúcho do asfalto.
Chego então a conclusão Que o gaúcho é o mesmo, igual Ou no lombo de um bagual Ou vendo televisão Ou tomando chimarrão Mais polido, mais selvagem, Fruto da mesma linhagem Que trazem de nascimento O que importa é o sentimento Pouco interessa a roupagem.