Disparo de tropa
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O peão da madrugada cumprimentando O capataz do sol que vinha bandeando A tronqueira d'horizonte, Tirava da cabeleira ruiva das flexilhas O sombreiro preto da noite... Como um suspiro da manhã, Ouvia-se o grito campeiro de – venha boi! –
Repechando a lomba Sinuosa das coxilhas, Surge o ponteiro, Que carrega atrás de si, A animalada mugindo, Quem sabe: de saudade... de tristeza E a tropa se espicha, Lenta como minhoca em terra lavrada E a peonada ao tranco, pensa, e pensando] Vê longe: chinas, carreiras, bochinchos... Como sofrenada de sopetão Pelo grito dum chimango Que passa rente ao lombo da tropa, A gadaria pára, Para arrancar num trovão De cascos, levantando uma tormenta Preta De poeira que cobre o infinito Verde da canhada. Por entre o negrume Da nuvem xucra, Relampeiam as guampas afiadas Da arreada em disparada... É o pampeiro corporizado, Que vem trazendo nas patas, Aramados, tronqueiras, Taipas e mangueiras... A tropeirama, Com olho no padre e olho na missa, Embolados com a tropa, Tentam manguear A fúria desmaneada... Como um tiro de trabuco Em noite silenciosa, Aquele disparo vai se apagando, Lentamente, aos pouquitos...
O barulhão merma, E o gado volta, cansado e estropeado, A seguir o grito de – venha boi!, sobre o corredor destorcido Como tento molhado, quente de sol... E para trás, Como rasto daquela tormenta vacum, Ficaram animais caídos Gemendo...quebrados... E no meio do lançante, Um cavalo arquejante, Com o costilhar aberto dum guampaço, Pateia estendido Por cima do corpo do ginete.