Fanfarronada 2
Atei a cola do pingo bem em cima, a canta-galo, e ou tranco do meu cavalo me toquei para um farrancho. Era um baile lá num rancho, ao som duma oito baixo, num socavão, lá em baixo, nos campos do Zé Carancho.
De longe eu já avistei que quem tava da porteira, era um tal de Zeca Bueira Com quem eu tinha uns ajuste. E já sentindo o cutuco comecei a decidi: -Eu vim pra me diverti. -Eu entro custe o que custe!
Nem bem o índio me viu já encrespou o tupete. E correndo a vara do brete, já me atacou na porteira. E aos gritos- entra. Não entra. prendi-lhe um coice na porte e entrei de qualquer maneira.
Menino! Aquilo foi mesmo, que um coice num formigueiro. Espirrou para o terreiro um tropa de boi e vaca. Mal me sobrou uma tempito, de dar um pulo pro lado e já me senti cercado num espinheiro de faca.
Era velho e era moço, e era até a mulherada, gritando que dava medo querendo acabar-me a estampa. E a coisa ficou mais preta do que dedo destroncado. E me vi mais apertado que um rato numa guampa.
Mas como numca me assusto, e o eu faço me garanto, me encomendei ao meu Santo e arranquei das “garantia”. E já abriu-se uma clareira na ponta do meu facão. E foi aquela confusão e só gente que fugia.
Ficaram só dois valentes, dispostos a me experimenta. Mas foi toma lá e dá cá e um deles já despachei. Mas o outro era um índio que não cozinhava cedo e eu senti não ser brimquedo na primeira que lhe dei.
Se atraquemos mano a mano, descendo por uma rampa, batendo guampa com guampa a luz de um lindo luar. E que peleia bem linda. (Pra quem olhasse distante) Era o Rio Grande vibrante na arte de se pelear.
E assim, terceando o ferro, ficamo uma hora e tanto. E ao ver que nem por encanto se decidia a parada, baixemo o ferro um instante, e compreendendo a bobagem, num gesto de camaradagem rompemo numa gargalhada.
Ele moço e eu também na verdade, de fato, ele entrou foi de gaiato no meio da brincadeiro. E abraçados como amigos, voltamos lá pro farrancho, disposto a entrar no rancho de qualquer jeito ou maneira.
Mas a indiada sem vergonha já tinha até olvidado, e todo o mundo acanhado dançava ao som da cordeona. Mas quando viram dois machos, deixam-nos ir entrando e logo fumo dançando, cada um com uma dona.
Me pediram até desculpas, pois já tinham compreendido que fora um mal-entendido que dera aquela bobagem. E assim, ganhei um amigo e fiquei a noite inteira dê-le baile e bebedeira, na paz da minha coragem.