Cacimba
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Cacimba de água clara, espelho da minha infância. Cacimba onde em criança tantas vezes fui bombear o jeito da minha cara.
Cacimba de água pura, tão pura, tão azulada, que a gente quando bebia até mesmo não sabia se estava bebendo água, se estava bebendo céu!
Cacimba, nas tuas águas ficou pra sempre o segredo, que tanto medo me dava, cada vez que os olhos meus roçavam no teu espelho sem nunca enxergar o fundo.
Mistério não sei de quê, pois nunca pude saber. Somente a aranha medonha que morava nas tuas bordas, sabia o que eu não soube desse mistério profundo...
Cacimba de água clara, espelho da minha infância. Quantas vezes saciaste a sede bruta que eu tinha de cansaço, nos folguedos dos meus tempos de guri! Cacimba, mais do que nunca eu hoje clamo por ti!
Cacimba, eu estou exausto, tenho o coração em fogo, tenho a alma ressequida! Cacimba, mata-me a sede que eu trago neste cansaço dos atropelos da vida!